Relato de viagem: 25 dias acampando na Nova Zelândia

Estávamos dormindo quentinhos dentro da barraca quando percebemos que o dia já amanhecia. Apesar da vontade de ficar aconchegada no saco de dormir, de repente me lembrei do local onde estávamos acampando na Nova Zelândia. Imediatamente quis abrir a barraca para ver de novo aquela paisagem, para deixá-la gravada na mente e nas fotos. Abri o zíper para dar de cara com essa lindeza que abre o post, uma montanha à beira do lago Moke, nosso camping perto de Queenstown.

Quando eu e meu marido chegamos em Queenstown, já estávamos quase no fim da nossa jornada de 25 dias acampando pela Nova Zelândia. Passamos 32 noites ao todo no país, mas algumas foram em quartos que locamos pelo Airbnb, a maioria em cidades grandes, como Auckland, Wellington e Christchurch. No restante do trajeto, optamos por acampar.

A maioria dos viajantes campistas normalmente loca uma campervan para rodar pela Nova Zelândia. Nós, no entanto, optamos por alugar um carro comum e acampar de barraca.

Receios e vantagens de viajar acampando

Estávamos com um pouco de receio de como a viagem ia se desenrolar. Nós fomos para a Nova Zelândia durante um mochilão que estávamos fazendo pela Ásia e Oceania, em 2017, e não tínhamos levado nenhum equipamento de camping. Mas, à medida em que fomos lendo mais sobre o país, nos demos conta de que acampar provavelmente seria uma das melhores formas de conhecer a Nova Zelândia. Bom, pelo menos pra nós, que somos trilheiros e campistas de carteirinha. Além, claro, de representar um certo alívio pro nosso orçamento.

Carro em frente a lago na Nova Zelândia

No fim das contas, viajar pela Nova Zelândia de carro e acampando nos proporcionou uma liberdade sem igual. Tínhamos um planejamento, mas fomos alterando de acordo com as nossas vontades e com as dicas que surgiam. Essa flexibilidade só foi possível graças ao fato de estarmos acampando.

Muitos lugares turísticos na Nova Zelândia, especialmente na Ilha Sul, são pequenos e com hospedagem disputada. Por isso, se você vai se hospedar em hotel é importante reservar com antecedência. Acampando, seja de barraca ou de campervan, é mais fácil viajar sem tanto roteiro.

Abaixo vou contar um pouquinho de como foram esses 25 dias acampando pela Nova Zelândia, fazendo trilhas, dirigindo por estradas cênicas e, claro, encarando alguns desconfortos também.

Comprando equipamentos de camping em Auckland

Como nós chegamos por Auckland, começamos a nossa viagem pela Ilha Norte. As primeiras duas noites foram em um Airbnb, para podermos nos organizar e comprar tudo que precisávamos. Inclusive, muitas coisas de camping que compramos acabamos trazendo com a gente pro Brasil.

Procuramos nos permitir o máximo de conforto possível. Compramos colchão de ar, isolante térmico, travesseiros de verdade e sacos de dormir. Além disso, pegamos uma mesa e cadeiras portáteis e um kit básico de cozinha para camping. Também baixamos algumas séries e filmes no computador e levamos um baralho para as noites ociosas. O marido, coitado, chegou a cansar de tanto perder no carteado :P.

Depois de ajeitar tudo e passear um pouco por Auckland, buscamos nosso carro alugado e pegamos a estrada.

As cavernas de Waitomo e o primeiro camping na Nova Zelândia

Começamos oficialmente a jornada campista em um camping particular na cidadezinha de Waitomo. O local é famoso pelas cavernas repletas de “glowworms”, um inseto que brilha no escuro.

O camping que escolhemos, na verdade, era um hostel que também oferecia um gramado para acampamento, algo comum no país. A vantagem foi que pudemos usar toda a estrutura do albergue, que tinha uma sala aconchegante e uma cozinha equipada.

Campervans estacionadas em camping em Waitomo

Fim de tarde no nosso camping em Waitomo

Chegamos em Waitomo já de noite e nos preparamos para conhecer as cavernas no dia seguinte. Como muitas experiências na Nova Zelândia, essa foi mágica. Caminhamos pela caverna e depois fizemos um passeio (mais curto do que gostaríamos) em um bote. Navegamos por um pequeno rio subterrâneo dentro da caverna, em meio ao silêncio e à escuridão quebrada apenas pelo brilho das glowworms. Olhar para o teto era como ver um céu estreladíssimo, só que debaixo da terra. As fotos que tiramos, abaixo, definitivamente não fazem jus à experiência.

Saímos de lá para encarar a luz do dia encantados. Depois, ainda fomos explorar outros atrativos naturais da região de Waitomo, como a cachoeira Marokopa, a Mangapohue Natural Bridge e um ponto da vila de Marokopa onde o rio encontra o mar.

Mas a grande atração, mesmo, foram as cavernas. Nosso primeiro camping na Nova Zelândia foi marcado por essa experiência única, que não foi minimizada nem pela chuva chata que nos acompanhou na hora de desmontar a barraca para ir embora.

Tongariro Alpine Crossing

Depois de Waitomo, seguimos rumo a Tongariro. Lá iríamos fazer a Tongariro Alpine Crossing, uma travessia de 19km por uma região de lagos e montanhas com tempo extremamente instável. Belíssimo, o Tongariro National Park foi também o cenário para Mordor nos filmes da trilogia “O Senhor dos Anéis”. Além da travessia, conhecemos cachoeiras e fizemos outras trilhas menores na região.

Acampamos por três noites em um camping simples do DOC (Deparment of Conservation, do governo neozelandês), perto do parque nacional. O camping ficava em meio à mata e ao lado de um rio cristalino. Como percebemos depois, ele seguia uma estrutura que viria a ser comum para nós ao longo da viagem. Tinha um abrigo simples para cozinhar, torneira com água corrente, mesas de piquenique e o infame “long drop toilet”. Aliás, esse é, na minha humilde opinião, a forma de sanitário mais desconfortável e fedorenta do planeta.

Basicamente, o “long drop toilet” é um vaso sanitário sem descarga, posicionado em cima de um buraco profundo no chão. Não sei de quanto em quanto tempo é feita a limpeza, mas pelo menos pelo período de uns dias tudo que cai ali, fica ali. Deu pra imaginar como fica o cheiro, né?

Como o camping não tinha chuveiro, nós tomamos o famoso banho de gato, usando lencinhos umedecidos. Não tivemos coragem de fazer como as alemãs com quem fizemos amizade no camping, que encararam um gelado banho de rio.

No dia da trilha, suados, exaustos e felizes depois de vencer a travessia, pagamos NZ$4 para tomar um banho quente em um camping particular da região, outra tática que usaríamos ao longo da viagem. Do jeito que os músculos estavam pedindo arrego, diria que esse banho está ali no TOP 5 banhos da vida.

Nas fotos, os arredores e a estrutura do camping no parque nacional de Tongariro. A área contava com um abrigo para cozinhar, mesa de piquenique e um rio nos fundos. A entrada era pela estrada de terra da última foto

Wellington

Infelizmente o tempo era pouco para tudo o que o país oferece. Logo estávamos arrumando as malas rumo à cidade de Wellington, onde pudemos reencontrar uma amiga da faculdade que hoje mora por lá. O caminho em si até a cidade foi uma bela roadtrip, passando por serras e rios. Ainda paramos para almoçar em uma das áreas de piquenique públicas, à beira da estrada, que funcionam como ponto de parada para os viajantes.

Em Wellington, ficamos em um quarto locado pelo Airbnb. Mais cedo do que gostaríamos, já estávamos no ferry rumo à Ilha Sul e ao que seria uma longa jornada de camping.

As vistas incríveis de Wellington

Acampando na Abel Tasman Coast Track

Começamos nosso trajeto na Ilha Sul da Nova Zelândia aproveitando o calor. Paramos primeiro para tomar um banho de rio nas águas esverdeadas e transparentes do Pelorus River. Esse, aliás, é o rio que os hobbits descem de barril no filme “O Hobbit: a desolação de Smaug”.

Em seguida fomos até um camping particular na cidade de Marahau, base para começar a trilha da Abel Tasman Coast Track, uma das caminhadas que fazem parte do circuito das “Great Walks” da Nova Zelândia.

O trajeto completo da Abel Tasman Coast Track tem 51 km. Eles podem ser percorridos a pé e/ou de caiaque em três a cinco dias. Ao longo do caminho, passa-se por diversas praias, baías e rios. Como tínhamos menos tempo, optamos por fazer apenas parte do trajeto, em dois dias. O primeiro dia de caiaque, de Marahau até a praia de Anchorage, onde acamparíamos. E o segundo por terra, um trajeto de 12 km até a praia de Bark Bay. De lá, pegaríamos um táxi náutico para voltar a Marahau.

Alugamos nossos caiaques oceânicos em uma agência em Marahau. Em seguida, acomodamos tudo que levaríamos no bagageiro interno e, depois de uma aula básica na praia, partimos.

O tempo nublado do primeiro dia não valorizou tanto a água transparente do mar na região, mas mesmo assim o trajeto foi incrível. Depois de 3h30 de remada estávamos em Anchorage, onde passamos uma noite tranquila no camping beira-mar. Por ser de uma das “Great Walks”, o camping tinha uma boa estrutura, mas estava concorrido. Algumas agências já deixavam lugares reservados com tudo montado para seus clientes. Eram barracas enormes e com muito conforto (confesso que invejamos :P).

No dia seguinte, com o tempo mais aberto, colocamos o equipamento nas mochilas e seguimos a pé até Bark Bay. Passamos por mais praias e vistas que nos deixaram com um gostinho de “quero mais” de Abel Tasman.

Nelson Lakes e as sandflies da Ilha Sul

Depois de três noites na região, seguimos para o Nelson Lakes National Park. Paramos para comprar comida e dirigimos por estradas secundárias que cruzavam cidadezinhas e paisagens lindas. Passamos dois dias tranquilos acampando na beira do lago Rotoiti, onde fizemos uma trilha pelo monte Robert, que oferecia uma vista panorâmica do lago lá embaixo.

No Nelson Lakes encontramos com um grupo escolar que também estava acampando na região. Pudemos admirar as aulas de educação física da criançada, que consistia em aprender técnicas de acampamento, natação e canoagem no lago. Quem me dera se as minhas aulas de educação física no colégio tivessem sido assim!

Foi lá também que descobrimos as insuportáveis sandflies. A sandfly é uma espécie de butuca neozelandesa que é o terror da Ilha Sul. Elas voam por aí sempre em enxames, formando verdadeiras nuvens ao redor de qualquer presença humana. Essas pragas fazem com que seja um suplício ficar ao ar livre ao entardecer, e às vezes mesmo de dia. Muitas vezes ao longo da viagem pela Ilha Sul precisávamos nos refugiar no carro, no abrigo do camping ou na barraca para escapar um pouco delas.

Apesar das sandflies, os dias em Nelson Lakes foram ótimos. Acordávamos cedo para ver o amanhecer no lago e curtíamos as trilhas e paisagens sem pressa.

Rumo ao glaciar Franz Josef

Nessa altura da viagem começamos a nos deslocar mais para o sul, em direção ao glaciar Franz Josef, e os dias foram ficando mais frios. Depois de Nelson Lakes, fomos dormir em um camping numa região conhecida como Nelson Creek. Nos demos ao luxo de fazer até um balde de pipoca e conhecemos um casal de canadenses, com quem ficamos conversando à beira da fogueira.

Depois, passamos algumas noites em um camping particular da região de Hokitika, onde curtimos uma praia com ventos gelados. Além disso, fomos conhecer o Hokitika Gorge, (mais) um belo rio de tom azul esverdeado.

De lá seguimos para os famosos glaciares da Nova Zelândia, o Franz Josef e o Fox, que ficam próximos um do outro. Paramos primeiro para acampar perto do Franz Josef. Acabamos fazendo a trilha para o glaciar no fim do dia. Embora não recomendável, isso nos permitiu curtir as vistas sem a muvuca dos grupos que vão de dia. Ainda fizemos amizade com um americano que estava fazendo a trilha sozinho e acabou, sem querer, tirando uma foto da gente na trilha.

As belas vistas do glaciar Fox

No dia seguinte, dirigimos em direção ao glaciar Fox. Paramos para acampar em um camping do DOC na Gillespies Beach, quase na frente da praia. Sabíamos que o camping tinha vistas para o próprio Fox e as montanhas nevadas. Infelizmente, o tempo estava um pouco nublado e conseguimos apenas alguns vislumbres. Já foi o suficiente, no entanto, para mostrar que a vista deve ser mesmo maravilhosa em dias de tempo aberto.

Estacionamento de camping perto do glaciar Fox, na Nova Zelândia

Foram mais de 10 km de estrada de chão para chegar até lá, mas valeu a pena. O por do sol nos presenteou com um show de cores. Depois ainda pudemos curtir um pouco da noite e do céu estrelado, apesar das sandflies. A noite foi gelada, mas nossos sacos de dormir seguraram bem o frio. A desvantagem foi o famoso banheiro long drop, que estava praticamente inutilizável devido ao mau cheiro, à sujeira e aos insetos.

No manhã seguinte, paramos de carro no lago Matheson, famoso pelos reflexos das montanhas em sua água, e em vários pontos que ofereciam uma vista linda do Fox. Depois, fomos fazer a trilha que leva até bem perto dele. A vista mais bonita, no entanto, foi mesmo a da estrada. Quando se está aos pés do Fox, você não tem uma visão tão boa do glaciar, já que ele faz uma curva na montanha. Mesmo assim, vale a pena conferir de perto. Na saída, encaramos a estrada novamente com o clima começando a mudar. Pegamos garoa e um frio que parecia aumentar a cada dia.

Blue Pools & o camping de Cameron Flat

Saindo da região do Fox Glacier, começamos a seguir em direção à cidadezinha de Wanaka. Paramos para acampar em um camping do DOC chamado Cameron Flat, no topo de um morrinho, com vista para as montanhas, o rio e a estrada. Éramos apenas nós e outras duas barracas em meio a meia dúzia de vans.

Durante a noite ventou muito, e meu marido precisou levantar de madrugada para ajustar as estacas e a capa da barraca. Dormimos mal, despertando a noite toda por causa do barulho da ventania.

Acordamos com um amanhecer gelado e uma bela vista. Em seguida fomos conhecer as famosas Blue Pools, que ficam bem perto do camping. Como o nome diz, são piscinas naturais de água azulada. É absolutamente lindo. Alguns gringos se arriscaram a nadar na água, que é bem convidativa, mas o frio não nos animou a entrar.

Acampando em Queenstown & Wanaka

Wanaka é uma cidade super charmosa, rodeada por montanhas e à beira de um lago de mesmo nome. Quando chegamos lá, estávamos precisando tirar uns dias para finalizar alguns projetos de trabalho. Para ter um pouco mais de conforto, decidimos ficar em um “Holiday Park”, um tipo de camping particular bem comum no país. Escolhemos um que tinha wi-fi ilimitado, lavanderia, uma sala de descanso ampla, com vistas bonitas da região, e uma cozinha equipada. A diária era mais cara do que os campings do DOC que vínhamos usando, mas a estrutura compensava.

Foram dias misturando trabalho e passeio, indo conhecer Wanaka e fotografar os fins de tarde nas estradas que ofereciam belas vistas da região. Os dias estavam lindos, frios e ensolarados. Tínhamos planejado fazer algumas trilhas, mas as obrigações limitaram nosso tempo e acabou não rolando. Mais uma vez, ficamos com a sensação de que queríamos ter tido mais tempo para aproveitar mais.

Depois de alguns dias em Wanaka seguimos para Queenstown, que está facilmente na lista de cidades mais lindas que já conhecemos. Por onde olhávamos tínhamos a impressão de estar vendo uma paisagem de cartão postal. As montanhas, o lago, as crianças brincando no rio cristalino que corta o centrinho, as construções charmosas… enfim, Queenstown é realmente apaixonante.

Lá voltamos a usar a boa e velha estrutura do DOC. Ficamos em um camping mais afastado da cidade, à beira do lago Moke, que abre esse relato. Como vocês podem ver, o camping em si seguia o mesmo padrão de beleza cênica da região.

A estrutura era bem rústica, sem chuveiro, mas com banheiro (vaso sanitário de verdade, com descarga! Eba!!). Além disso, havia pias e um abrigo para cozinhar. No fim de tarde, nós nos acomodamos nas nossas cadeiras de camping e apreciamos o entardecer alaranjado, enquanto uma família aproveitava para andar de SUP no lago antes da noite cair por completo.

Foram mais dias de estradas com vistas lindas, passeios à beira do lago, comidas gostosas no centro de Queenstown e algumas horas de trabalho na biblioteca local. Pegamos um pouco de chuva, mas nada que atrapalhasse muito. Enfim nos despedimos dando um tchau para as montanhas e para o guarda-parque do camping. O sujeito era uma figura e ainda por cima era a cara do Hagrid, da série “Harry Potter”.

Aoraki/Mount Cook National Park

Depois de 17 dias seguidos dormindo em barraca desde que saímos da Ilha Norte, optamos pela primeira vez por dormir em um hotel.

Saindo de Queenstown, passamos por um point de bungee jump (dessa vez, não nos animamos a pular) e pelo belíssimo e isolado Lindis Valley, até chegar na cidadezinha de Omarama. Até demos uma olhada nos campings da região. Mas, confesso, o tempo chuvoso e a vontade de dormir em uma cama de verdade falaram mais alto. Acabamos pegando um quarto com direito a cozinha num hotel da cidade.

Nós amamos acampar, mas foi maravilhoso poder dormir em uma cama e ter um banheiro só nosso. Com o tempo frio, ligamos o aquecedor, cozinhamos, assistimos filmes e episódios de séries. Enfim, redescobrimos outros pequenos prazeres da vida antes de seguir viagem.

No dia seguinte, renovados, fomos para a região do Aoraki/Mount Cook National Park. O monte Cook é uma imponente montanha nevada que pode ser avistada de longe, com o lago Pukaki em primeiro plano, formando uma das paisagens mais conhecidas da Nova Zelândia. Acampamos no White Horse, um camping do DOC que fica no parque e dá acesso às principais trilhas da região. O camping é enorme, mas foi também um dos mais movimentados da viagem.

Já no fim do primeiro dia fomos fazer a Hooker Valley Track. Essa é uma trilha que termina em um lago aos pés do monte Cook, com geleiras e icebergs. Ficamos lá até por volta de 21h30, fotografando a montanha à noite e curtindo a paisagem. (Estávamos, claro, equipados para voltar pela trilha à noite em segurança, com lanternas a postos).

Estava empolgada pra chegada da noite porque o céu noturno na região é um dos mais limpos e propícios para ver estrelas em todo o mundo. Só tinha esquecido que estávamos justamente em época de lua cheia. Com a sua claridade a mil, a lua faz com que as estrelas sejam menos visíveis. Mesmo assim, de fato foi uma noite linda, embora não tão estrelada.

No dia seguinte, saímos de carro cedinho para ver as paisagens da estrada. Depois, fizemos algumas outras trilhas pela região, sempre com visuais de tirar o fôlego. Os dias e as noites no monte Cook foram também os mais frios em toda a viagem. Até para cozinhar foi mais trabalhoso. Com o frio parecia que a comida simplesmente não esquentava, por mais que o nosso fogareiro se esforçasse.

O fim da jornada

Terminamos nossa passagem pela região do monte Cook acampando em um Holiday Park na cidadezinha de Twizel, vizinha do parque nacional e dos belos lagos Pukaki e Ruataniwha. Na falta de um forno, usamos as frigideiras da cozinha do camping para tentar fazer uma pizza “frita” (embora a massa fosse de pizza tradicional mesmo). E não é que deu certo? Mais um pequeno prazer redescoberto. No dia seguinte, já rumando ao fim da viagem, passamos por um outro lago incrível, o Tekapu.

As duas últimas noites foram dormindo em hospedagens que tínhamos reservado pelo Airbnb. Uma foi no caminho até Christchurch e outra na cidade em si. Aproveitamos para limpar bem os equipamentos de camping. Primeiro, separamos o que traríamos de volta com a gente pro Brasil (barraca, sacos de dormir, fogareiro e alguns itens de cozinha). O restante deixamos para doação na sede do Exército da Salvação em Christchurch.

Terminamos nossa jornada de 25 dias acampando pela Nova Zelândia cansados, mas também felizes e realizados. Passamos por bem menos perrengues do que imaginávamos, e as lembranças que ficaram foram de dias de companheirismo, de trilhas, montanhas e lagos, de céus estrelados e fins de tarde coloridos, de noites trabalhando e de noites jogando baralho, de fogueiras e conversas com outros viajantes, de saudades de casa e da nossa cama. Foram dias vividos de verdade, com seus altos e baixos. Como a vida deve ser, né?

Crédito de todas as fotos: Carolina Leal/Eu me Aventuro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *