7 dicas para fazer caminhadas e trilhas no inverno

Chega o inverno e com ele a melhor época para fazer determinados tipos de trilha no Brasil, como em montanhas. O tempo está mais seco, o risco de temporais é menor e as cobras não dão tanto as caras nas trilhas. Tudo ótimo e garantindo mais segurança ao trilheiro, exceto, claro, pelos riscos envolvendo o frio. Com temperaturas que podem ficar facilmente abaixo de zero nos cumes e serras do país, é fundamental ter cuidado e respeitar os limites, seus e da natureza. Por isso, preparamos aqui uma lista com dicas para quem quer fazer caminhadas e trilhas no inverno.

Antes de irmos a elas, vale a pena lembrar da dica mais importante, válida para todas as trilhas: nunca, jamais deixe lixo na natureza. Sempre leve embora tudo que carregar com você.

Vamos lá?

Dicas para quem vai fazer trilhas em dias frios:

1) Confira a previsão do tempo e esteja preparado

Antes de mais nada, confira a previsão do tempo. Essa é uma regra especialmente importante para quem quer fazer trilhas no inverno. Somente assim você vai poder se preparar de maneira adequada.

Além disso, leve em consideração o terreno, altitude e padrões comuns do clima na região. Se você vai para uma montanha, por exemplo, a temperatura no cume com certeza será significativamente mais baixa do que a do município que fica na base. Da mesma forma, o ar frio tende a ficar muito concentrado em regiões de vale, aumentando também a chance de geada.

Com as informações em mãos, é hora de fazer o planejamento adequado. Se a sua trilha inclui uma parada para acampar, esses dados serão ainda mais fundamentais. Você precisará deles para saber inclusive se o seu saco de dormir e isolante térmico aguentam as temperaturas previstas. E, por fim, não se esqueça de informar alguém sobre o seu itinerário e a data prevista para voltar.

2) Vista-se em camadas & evite roupas de algodão

Outro cuidado importante ao fazer trilhas no inverno é usar as roupas mais adequadas. Ao invés de usar um único casaco pesado e quente, opte por se vestir em “camadas”. Para isso, costuma-se usar três peças de tecidos respiráveis. Assim, fica mais fácil tirar ou colocar alguma peça e se adaptar à temperatura ao longo da caminhada. Dessa maneira, você não passa calor excessivo e não sua tanto, o que é fundamental para se manter seco ao longo do trajeto.
 
Além disso, evite algodão, que é pesado e demora para secar. Isso vale inclusive para as meias, que idealmente devem ser de algum material respirável, sintético ou de lã. A umidade excessiva no tecido pode gelar o corpo e levar à hipotermia, por isso leve esse conselho a sério. 
 

Se você se aqueceu ao fazer a trilha no frio e já está suando, é preciso liberar um pouco de calor do corpo. Para isso, nem sempre é preciso tirar toda uma camada. Às vezes basta abrir o zíper da frente ou aquele embaixo dos braços, muito em comuns em algumas jaquetas corta-vento.

Homens agasalhados em montanha

Camadas de roupas para trilhas:

  • Primeira camada: é a que fica em contato com a pele e deve servir para manter o corpo seco. Portanto, deve ser sempre de um tecido sintético que seque rápido e não acumule o suor.
  • Segunda camada: é feita para reter o calor do corpo, protegendo contra o frio. O mais comum é usar uma blusa fina de fleece, um tipo tecido sintético. O fleece tem boa respirabilidade, seca rápido e se mantém quente mesmo quando úmido.
  • Terceira camada: é para proteger contra o vento e a chuva. É o caso, por exemplo, das jaquetas corta-vento impermeáveis. Elas podem variar imensamente em termos de calor, peso e funcionalidade, portanto pesquise o que é mais adequado para o clima que você vai enfrentar.

3) Use um chapéu ou gorro e não esqueça do filtro solar

Pode não parecer, mas perdemos uma quantidade imensa de calor através das nossas cabeças. Talvez tenha a ver com o fato de que o nosso cérebro é responsável por consumir até um terço da energia corporal. De qualquer forma, ao fazer trilhas no inverno é importante manter a cabeça sempre coberta. Isso ajuda a manter as funções e calor do corpo. Um chapéu ou boné pode ser suficiente, mas em dias mais frios ou durante períodos de descanso vale a pena usar um gorro. Essa é uma dica básica que foi muito bem lembrada pela American Hiking Society.

Além disso, não esqueça do filtro solar. Não é porque está frio que podemos deixar esse cuidado de lado. Os raios UV continuam agindo, mesmo que a gente não sinta da mesma maneira quanto no verão. Além de serem desconfortáveis, queimaduras solares podem te colocar num quadro de simplesmente não conseguir mais seguir com a caminhada. Se você vai para outro país e pretende caminhar em uma região de neve, o cuidado deve ser redobrado, já que os raios solares vão ser refletidos pela neve.

4) Proteja a pele exposta e o pescoço

Não é preciso estar em temperaturas abaixo de zero para que seja importante proteger a pele e o pescoço durante trilhas no frio. Mesmo que no Brasil o risco de congelamento dos tecidos seja quase inexistente, o frio moderado pode queimar e rachar a pele exposta. Lembre-se de usar luvas e leve itens como manteiga de cacau e pomadas com pantenol para proteger os lábios e a pele.

Para proteger a região do pescoço do frio, evite usar cachecóis. As pontas soltas podem ser muito perigosas caso enrosquem em árvores, pedras etc. Em vez disso, opte por um protetor específico, a “pescoceira”. Ela muitas vezes é feita de um tecido sintético e se fecha ao redor do pescoço, como uma gola. Além disso, ao se vestir em camadas tome cuidado para não ter muitos zíperes ao redor do pescoço. Se eles ficarem pegando na pele pouco a pouco durante uma longa trilha, podem chegar a machucar.

5) Lembre-se de comer e de beber muita água

Homem bebe água em trilhaÉ comum no frio não sentirmos tanta vontade de comer ou beber água. No entanto, descuidar da alimentação e da hidratação ao fazer exercícios físicos e trilhas no inverno é um erro fatal.

De fato, a desidratação nos torna ainda mais suscetíveis à hipotermia. Além disso, em muitas regiões do Brasil o inverno costuma vir acompanhado de um ar mais seco, o que torna a hidratação ainda mais importante. Mesmo que você não esteja suando tanto, beba bastante água.

Da mesma maneira, o corpo também pede por mais calorias no inverno. Para as trilhas, leve comidas que não pesem tanto, tenham alto valor energético e sejam fáceis de consumir mesmo usando luvas. Por exemplo, castanhas e nozes, barrinhas de cereais e de proteína, gel de carboidrato etc. Deixe alguns petiscos acessíveis e próximos ao corpo, como nos bolsos da jaqueta.

Se o seu destino é fora do país e inclui temperaturas abaixo de zero, lembre-se de que a sua água pode congelar. Por isso, leve-a em uma garrafa térmica ou acomode sua garrafa comum dentro de uma meia de lã.

6) Esteja preparado para dias mais curtos e leve itens de segurança

Assim como no verão, para fazer trilhas no inverno o ideal é caminhar enquanto há luz do dia. Especialmente no sul do país, as temperaturas caem drasticamente assim que o sol se põe. Para ajudar, os dias são mais curtos, por isso leve esse detalhe em consideração no seu planejamento.

Algumas dicas são:

  • Leve sempre uma lanterna e baterias extras. O frio faz com que as baterias acabem mais rapidamente, por isso é importante levar pilhas reservas.
  • Leve um cobertor de alumínio de emergência. Ele ajuda a prevenir uma hipotermia caso você seja pego de surpresa com uma queda na temperatura ou demore mais tempo do que previa para concluir a trilha.
  • Leve itens extras de tudo, incluindo comida, água e roupas. Pode ser fundamental em caso de emergência com você ou alguém do seu grupo.
  • Lembre-se de levar os “Ten Essentials”, os dez itens fundamentais para levar numa trilha.

7) Vá com pessoas mais experientes e conheça seus limites

Especialmente no frio, quando o risco de hipotermia é maior, o ideal é fazer trilhas acompanhado por pessoas experientes. Afinal, ninguém quer se perder, ainda mais quando o risco é passar uma ou mais noites congelantes ao relento.

Além de contar com a ajuda de colegas mais experientes, cuide sempre da sua segurança e aprenda o máximo possível. Isso inclui conhecer a região, saber usar um GPS, um mapa e uma bússola, e ter certeza de que está preparado para aquela trilha. Respeite-se e conheça sempre os seus próprios limites.

Além disso, faça paradas curtas com o seu grupo. Paradas muito longas no inverno te deixam ainda mais suscetível ao frio. Mais um motivo, aliás, para conhecer seus limites e estar seguro do seu preparo físico para concluir a trilha. Caso precise parar por mais tempo, lembre-se de colocar ou recolocar uma camada de roupa para se manter aquecido até voltar a caminhar.

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